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Hérnia de parede abdominal



A hérnia abdominal manifesta-se como um avanço não convencional de um órgão ou tecido interno através de uma abertura ou fraqueza na muralha do abdome. Esta condição é marcada pela existência de um defeito, seja inato ou desenvolvido ao longo da vida, nas estruturas da parede abdominal. Esse defeito é o que possibilita que partes internas do abdome se insinuem entre as camadas dessa parede, resultando em um notável inchaço ou deformação na superfície abdominal.





As hérnias surgem principalmente devido a vulnerabilidades específicas na musculatura da parede abdominal. Estas áreas propensas a hérnias são geralmente o resultado de passagens naturais ou intervenções cirúrgicas:

  1. No umbigo, a área é naturalmente enfraquecida pela passagem do cordão umbilical, o que pode levar ao desenvolvimento de hérnias umbilicais.

  2. Na região inguinal ou virilha, a descida do testículo do abdômen para a área externa durante a fase fetal (ou do ligamento redondo do útero nas mulheres) cria um ponto fraco que pode resultar em hérnias inguinais.

  3. Acima do umbigo, na linha alba, os vasos sanguíneos que cruzam a parede abdominal formam áreas suscetíveis, onde podem ocorrer hérnias epigástricas.

  4. Adicionalmente, cortes feitos durante cirurgias anteriores na parede abdominal enfraquecem a região, podendo levar ao surgimento de hérnias incisionais nesses locais.

As hérnias abdominais são bastante comuns tanto em adultos quanto em crianças. A frequência com que ocorrem na população em geral oscila entre 3% e 8%. A maior parte dessas hérnias se manifesta na região da virilha, ou área inguinal, com cerca de 20 a 25% dos homens sendo propensos a desenvolver uma hérnia inguinal. Ademais, entre 10% a 15% das pessoas que passaram por um procedimento cirúrgico abdominal acabam por desenvolver uma hérnia no local da incisão.



Idade e gênero são fatores significativos na frequência das hérnias. Tais condições tendem a aparecer mais em idades jovens, em parte devido a anormalidades anatômicas congênitas e ao fato de que os tecidos ainda não atingiram sua maturidade total. Em idosos, a ocorrência de hérnias é mais comum devido ao enfraquecimento dos tecidos associado ao envelhecimento. As hérnias inguinais são particularmente mais comuns em homens, enquanto as hérnias umbilicais tendem a aparecer mais em mulheres.

A obesidade também é um fator que eleva a probabilidade de hérnias, pois o excesso de gordura corporal enfraquece os tecidos e aumenta a pressão abdominal. Outras condições que elevam a pressão abdominal, como tosse crônica, gravidez, constipação intestinal e hiperplasia prostática, igualmente estão ligadas a um risco aumentado de desenvolver hérnias.


Os sintomas de um paciente com hérnia abdominal são comumente descritos como um aumento visível e localizado no volume do abdome, resultando em uma protuberância na estrutura ou contorno abdominal, frequentemente acompanhada de dor ou incômodo na região afetada. Esses sinais são mais acentuados após atividades físicas e tendem a aliviar quando o paciente repousa deitado de costas.

No caso de hérnias inguinais, os pacientes podem experimentar parestesias (sensações anormais como formigamento) e dores que se irradiam para a área do escroto. Estes sintomas estão frequentemente ligados à irritação ou compressão dos nervos no canal inguinal devido à presença da hérnia.



Na maior parte das vezes, o diagnóstico das hérnias é feito através de um exame clínico. A identificação de uma protuberância localizada em uma área do abdome, que se torna mais evidente ou aumenta com a elevação da pressão dentro do abdome (como durante exercícios físicos, movimentos abdominais ou tosse) e que diminui ou some quando a pessoa está em repouso, é um forte indicativo de hérnia abdominal. Contudo, em casos de hérnias mais complicadas ou em pacientes com obesidade, pode ser necessário realizar exames de imagem para confirmar o diagnóstico. Nestas situações, exames como ultrassonografia da parede abdominal, tomografia computadorizada ou ressonância magnética do abdome podem ser utilizados.



As hérnias podem levar a algumas complicações sérias:

  1. Hérnia Irredutível ou Encarcerada: Esta situação ocorre quando o abaulamento causado pela hérnia se torna permanente, ou seja, o conteúdo da hérnia não retorna à sua posição normal espontaneamente e também não pode ser reposicionado manualmente. Essa condição pode causar dor, mas geralmente não é considerada uma emergência médica.

  2. Hérnia Estrangulada: Esta é a complicação mais grave associada às hérnias. Acontece quando o conteúdo da hérnia, frequentemente parte do intestino, fica preso e estrangulado no orifício herniário, levando à interrupção do fluxo sanguíneo. Isso pode resultar em isquemia (falta de sangue) e gangrena (morte do tecido). Os sintomas incluem dor intensa e é considerado um caso de emergência que requer intervenção cirúrgica imediata.




Embora não exista uma ligação direta entre as complicações das hérnias e as atividades específicas realizadas, é comum aconselhar os pacientes a evitarem ações que resultem em um aumento considerável da pressão dentro do abdome. Isso inclui atividades como levantamento de peso, fazer abdominais, pilates, entre outros. No entanto, outras formas de exercício, como correr e participar de esportes variados (como futebol, tênis, natação etc.), geralmente são aceitáveis, contanto que não provoquem dor ou outros sintomas.




Como tratar a hérnia:


Devido ao fato de uma hérnia ser essencialmente um "buraco" na musculatura da parede abdominal, a correção cirúrgica é geralmente a única opção eficaz de tratamento.

Métodos como fisioterapia ou exercícios de fortalecimento abdominal não são eficientes para tratar hérnias. A maior parte dos pacientes com essa condição acabará necessitando de uma intervenção cirúrgica. No entanto, hérnias pequenas e assintomáticas podem, em alguns casos, ser apenas monitoradas.

Tradicionalmente, o procedimento cirúrgico envolve a costura do orifício herniário. Porém, devido ao risco de a hérnia voltar a ocorrer, atualmente recomenda-se frequentemente reforçar a área com a inserção de uma malha cirúrgica. O uso dessa malha reduz de maneira significativa o risco de recorrência da hérnia.

É crucial a avaliação por um cirurgião especializado para determinar os riscos e a necessidade de uma cirurgia.



Atualmente, há uma tendência crescente de corrigir hérnias usando a técnica de laparoscopia, também conhecida como cirurgia por vídeo, que se baseia em princípios de mínima invasão. Este procedimento é realizado através de incisões pequenas. As cirurgias laparoscópicas oferecem várias vantagens, como:

  • Redução da dor após a operação;

  • Uma recuperação mais rápida, permitindo o retorno às atividades cotidianas mais cedo;

  • Menor risco de complicações, em especial infecções;

  • Resultados estéticos superiores.

No entanto, nem todos os pacientes ou tipos de hérnia são adequados para o reparo por técnicas laparoscópicas.

É essencial a consulta com um cirurgião especializado para um planejamento correto e a escolha da técnica cirúrgica mais apropriada para cada caso individual.



As recomendações de cuidados após uma cirurgia de hérnia podem variar conforme o paciente e o tipo de hérnia, mas geralmente incluem:

  • Como medida de precaução, é aconselhável não dirigir por um período de 3 a 5 dias;

  • Atividades como caminhadas, subir escadas e corridas leves não são restritas;

  • A sensação de desconforto ou dor durante uma atividade deve ser usada como um indicador de limite;

  • É recomendado evitar levantar objetos pesados (mais de 5 a 10 kg) e realizar exercícios abdominais por cerca de 4 a 6 semanas após o procedimento cirúrgico;

  • Normalmente, não é necessário restringir as atividades por mais de 2 a 3 meses.

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